Blogarimpando por aí, encontrei esta gema de Mario Quintana, lançada em seu quinto livro no ano de 1950."Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras,
porque elas não são palavras; são rios, pássaros, naves...
no rumo de vossas almas bárbaras.
Sim, vós tendes as vossas almas supersticiosamente pintadas, e não apenas a cara e o corpo como os verdadeiros selvagens. Sabeis somente dar ouvido a palavras que não compreendeis, e todos os vossos deuses são nascidos do mêdo. E eu na verdade não vos trago a mensagem de nenhum deus...
Nem a minha...
Vim sacudir o que estava dormindo há tanto tempo dentro de cada um de vós,
limpar-vos de vossas tatuagens...
E o frêmito que sentireis, então nas almas transfiguradas, não será do revôo dos anjos...
Mas apenas o beijo amoroso e invisível do vento sobre a pele nua!"
Mario Quintana
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